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Publicado em 19/10/2017 14h12

Mau cheiro causa incômodo aos frequentadores do Dique

SALVADOR

Quem passa pelo Dique do Tororó - um dos cartões-postais de Salvador -, principalmente na região próxima à Estação da Lapa, tem usado todo tipo de artifício para fugir do mau cheiro que atinge a área.

Há quem use a mão e a camisa para tapar o nariz, mas há também quem opte por extinguir o local do percurso, a fim de não se deparar com o forte odor.

Galhos de árvore caídos, folhas de plantas, garrafas pet, sacos plásticos e outro detritos formam uma grande gosma na superfície da água. Segundo relatos ouvidos por A TARDE, nesta quarta-feira, 18, no local, a crosta de sujeira muda de posição a depender da direção do vento.

De tão incomoda, a situação malcheirosa – que também é verificada no Rio Vermelho, no Imbuí e no Costa Azul – já gerou abaixo-assinado, narrou à reportagem o autônomo José Erotildes, 58, um dos habitués da musculação em barras de ferro instaladas em uma das pontas do curso d’água.

Foi ele que organizou a movimentação capaz de unir idosos e garotos que se revezam nos equipamentos, localizados na altura da concessionária Sammar, da marca Kia Motors.

Entregue à Companhia de Desenvolvimento Urbano do Estado da Bahia (Conder), órgão responsável pela manutenção do dique, o documento não teve resposta, diz Erotildes, o que tem sido motivo de revolta. Inflamado, ele mesmo reclama do “descaso” com a área.

“Isso é uma vergonha. Um cartão postal em lugar nenhum do mundo fica assim, abandonado e sujo”, brada o usuário da região, uma das preferidas pelos soteropolitanos para caminhadas e outras atividades de lazer.

O exercício ao ar livre, entretanto, tem sido substituído por caminhadas em esteiras de academias. Foi assim com o vigilante Epaminondas Francisco, 49, que deixou de ir diariamente às margens do dique e tem preferido evitar o local.

Ele conta que, além do inconveniente do mau cheiro durante a corrida, levou em conta o medo de que, ao longo do tempo, desenvolva problemas respiratórios.

“Todo dia é isso. Se você chegar perto, não aguenta. Tenho medo de que isso, no futuro, me traga algo [relacionado a doença], porque tudo que entra dá trabalho para sair depois”, alarma.

Comércio afetado

Do outro lado, onde a barragem tem como vizinhos restaurantes conhecidos e a Arena Fonte Nova, o odor também tem incomodado comerciantes e clientes.

Nesta quarta, entretanto, o movimento do vento para a direção oposta livrou do mau odor quem almoçava na Cantina da Cheiro, pizzaria famosa na região. O clima, entretanto, nem sempre está agradável, de acordo com a supervisora operacional do restaurante, Lucileide Silva.

“Os clientes comentam e exigem providências, mas foge do nosso controle. Não podemos jogar desinfetante no Dique. Esperamos os responsáveis tomar providência, mas nada acontece”, relata ela, contando que a situação também atrai muriçocas e acaba afetando o movimento do negócio.

O assunto já até apareceu na pesquisa de satisfação disponibilizada pelo estabelecimento para os clientes, diz Lucileide. “Muita gente diz que não volta mais”.

Contatada, a Conder informou, em nota, “realiza a manutenção predial, vigilância e limpeza da área do Dique do Tororó, mas o espelho d’água não está sob o seu domínio, cabendo à companhia apenas a retirada dos materiais sólidos descartados de forma irregular, o que ocorre de modo constante”.

Já a Secretaria de Manutenção da Cidade (Sema), responsável pela manutenção de rios, lagos e córregos, não se posicionou até a publicação desta reportagem.

Expert na análise da qualidade das águas, o Instituto Estadual de Meio Ambiente e Recursos Hídricos (Inema) informou, no entanto, que foram encontrados “valores elevados” de fósforo e nitrogênio na lagoa durante a última avaliação feita pela Diretoria de Fiscalização e Monitoramento (Difim).

Isso, explicou o órgão por meio de comunicado, tem a ver com o crescimento exacerbado de algas, que, ao serem decompostas, são responsáveis por provocar o mau cheiro.

Autoria: A Tarde

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