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Depois de mais de 10h, o primeiro dia de julgamento da médica Kátia Vargas, de 49 anos, – acusada pelo Ministério Público da Bahia (MP-BA) de ter provocado o acidente que matou os irmãos Emanuel e Emanuelle Gomes Dias, 21 e 23 anos, na orla de Salvador - foi encerrado por volta das 19h45 desta terça-feira, 5, e será retomado às 8h desta quarta, 6.
A ré deixou o Salão do Fórum Ruy Barbosa, no bairro de Nazaré, acompanhada de dois policiais militares e devera passar a noite em casa, já que obteve o direito de responder ao processo em liberdade provisória. A previsão inicial era que o julgamento seguisse até as 22h, mas após o depoimento das testemunhas de acusação e defesa a juíza Geize Almeida decidiu suspender a sessão.
Primeiro dia
O primeiro dia do julgamento da médica Kátia Vargas colocou a ré diante da mãe das vítimas, Marinúbia Barbosa, pela primeira vez. Apesar da prerrogativa de não ser obrigada a ir ao julgamento, a médica compareceu ao Salão do Júri no Fórum Ruy Barbosa, onde ficou sentada entre dois policiais militares. A médica, que deixou o espaço alternadas vezes, sempre escoltada, passou a maior parte do tempo de cabeça baixa.
Já a mãe dos irmãos mortos sentou na primeira fileira, do lado esquerdo do salão, amparada pelos familiares que ocuparam os oito assentos restantes. A enfermeira se manteve boa parte do tempo olhando para a frente, ouvindo os depoimentos das testemunhas.
Marinúbia, assim como demais familiares, chorou ao ver o MP-BA exibir as fotos dos filhos, durante o depoimento da terceira testemunha de acusação. Ao reviver a cena, por um instante, a mãe saiu amparada do salão, assim como já fizera em ocasiões anteriores.
Do lado de Vargas, distribuído na primeira fileira à direita do salão, todos os noves assentos reservados à família também foram ocupados. Entre os familiares, estavam o casal de filhos adolescentes da médica, além do marido da acusada.
Atraso de 1h30
Marcado para as 8h, o julgamento só foi começar por volta das 9h30, quando a juíza Gelzi Maria Souza declarou aberta a sessão. Logo após, inciou-se o sorteio de sete dos 25 jurados que foram ao Salão do Júri, no Fórum Ruy Barbosa, em Nazaré. Dos sete, apenas dois eram do sexo masculino.
Os jurados com a responsabilidade de anunciar o veredito previsto para hoje são Alexandro Mota Reis, Marcos Roberto do Nascimento, Andreia Rodrigues, Ariteia Oliveira dos Santos, Natali de Oliveira, Maria Santos Alencar e Mariana Elias Andrade.
Além dos escolhidos, três sorteados foram descartados pela defesa de Vargas, outros dois dispensados pelo MP-BA (acusação) e outros dois se declararam impedidos de participar do júri, um deles por ter se manifestado sobre o caso em uma rede social na internet.
Testemunhas de acusação
Pela manhã, depuseram três das cinco testemunhas arroladas pela acusação: Álvaro Lima Freitas Junior, Maria Antônia Souza Palmeira e Arivaldo Lima Silva. Todos foram arguidos tanto pela acusação quanto pela defesa da médica, na primeira parte da sessão, que se estendeu até as 13h.
Todas as versões das testemunhas foram contestadas pela defesa de Vargas, que se ateve a buscar contradições nos detalhes dos depoimentos, como a distância em que elas estavam em relação às cenas descritas, desde a alegada discussão até a colisão da moto com o poste.
Os três afirmaram ter visto Emanuel, condutor da motocicleta, discutir com a médica no semáforo próximo ao antigo Salvador Praia Hotel, na avenida oceânica. Mas apenas dois deles, disseram ter visto o desfecho fatal em frente ao Ondina Apart Hotel.
O primeiro a depor foi Álvaro Lima Freitas que, na manhã de 11 de outubro de 2013, dia das mortes, voltava de uma caminhada matinal no sentido da Barra para a Ondina. Ele disse ter visto o momento em que Emanuel desfere um tapa do lado do carona no carro da médica.
“O veículo branco (o Kia Sorento dirigido por Vargas), então, arranca bruscamente, depois da moto. A partir daí, não tenho a visão da moto, até ver o desfecho do que está sendo julgado”, diz. “Segui caminhando, quando me aproximei, a situação era chocante”, disse, ao ver os corpos no chão.
Discussão de trânsito
A testemunha Maria Antônia recordou estava parada no semáforo, no sentido contrário aos dos envolvidos, rumo à Barra. “O condutor da motocicleta levanta o capacete, gesticula, como se estivesse brigando, mas não vi o que veio depois, por que segui adiante”, lembrou.
Já a testemunha Arivaldo Lima Silva foi categórico ao afirmar que a médica perseguiu a moto, em alta velocidade, deu dois toques no veículo menor até derrubá-lo. A testemunha diz ter alertado um policial militar que registrava a ocorrência de que o condutor havia cometido um homicídio.
Segundo o homem, ele acompanhava a discussão pelo retrovisor, já que o veículo o qual dirigia estava à frente dos envolvidos, na altura do antigo Salvador Praia Hotel. Ele diz que, após o semáforo abrir, seguiu adiante, pois a discussão não o interessava.
“Após a discussão, a moto seguiu em velocidade inferior à minha, que era de 60 quilômetros por hora. Então, fui ultrapassado por um carro em alta velocidade”, apontou. “O carro deu um toque no fundo da moto e, depois, usou a lateral para arremessar o veículo contra o poste”, completou.
À tarde, o júri foi retomado após parada para o almoço, às 14h35. Em seguida, foram ouvidas a 4ª e a 5ª testemunhas de acusação. Logo depois, as cinco testemunhas da defesa da médica Kátia Vargas.
Autoria: A Tarde