A Bahia registrou 10.264 casos prováveis de chikungunya entre 4 de janeiro e 22 de setembro deste ano, aumento de 369,3% em relação aos 2.187 casos contabilizados no mesmo período de 2025. Segundo a Secretaria da Saúde do Estado da Bahia (Sesab), três mortes pela doença foram confirmadas pela Câmara Técnica Estadual de Análise de Óbitos.
Os registros da doença alcançam 201 municípios baianos, dos quais 22 apresentam incidência igual ou superior a 100 casos por 100 mil habitantes. O coeficiente de incidência da chikungunya no estado chegou a 69 casos por 100 mil habitantes, conforme os dados acumulados até a Semana Epidemiológica 37 de 2026.
Alagoinhas apresenta o maior coeficiente de incidência entre os municípios relacionados pela Sesab, com 2.534,18 casos por 100 mil habitantes. Na sequência aparecem Rio Real, com 1.585,24, Muritiba, com 1.076,87, Teodoro Sampaio, com 686,81, e Santo Estêvão, com 558,52 casos por 100 mil habitantes.
A lista apresentada pela secretaria inclui ainda Aramari, com coeficiente de 524,44 casos por 100 mil habitantes, Queimadas, com 441,14, Catu, com 431,06, São Félix, com 288,24, Conde, com 282,09, e Pojuca, com 268,07. Os dados foram coletados em 22 de setembro e estão sujeitos a alterações, de acordo com a Sesab.
Com a chegada do período de temperaturas mais altas, a combinação de calor e umidade pode favorecer a proliferação do Aedes aegypti, mosquito transmissor da chikungunya, dengue e zika. “Embora o comportamento das chuvas passe por variações conforme a região, aumentando em algumas e diminuindo em outras, o alerta principal recai sobre a combinação de umidade e calor, cenário propício para a proliferação de vetores de zoonoses, especialmente as arboviroses transmitidas pelo Aedes aegypti, como a dengue, zika e chikungunya”, destaca o médico Alexandre Chieppe, consultor médico da MedLevensohn.
Segundo o especialista, os sintomas iniciais das três arboviroses são semelhantes, o que torna a identificação da doença importante para o atendimento e para as ações de vigilância. “Como os sintomas iniciais de zika, chikungunya e dengue são muito parecidos, a identificação rápida da doença por meio de testes rápidos amplamente disponíveis para a população em farmácias e clínicas de todo o país não é importante apenas para o diagnóstico e tratamento individual correto, mas também fundamenta as ações das secretarias de saúde no bloqueio e contenção do mosquito na região afetada, além de garantir a notificação oficial dos casos, essencial para frear a cadeia de transmissão”, diz, Chieppe.
As dores intensas estão entre as características da chikungunya citadas pelo médico ao abordar a necessidade de preparação dos serviços de saúde diante das arboviroses. “O planejamento prévio deve contemplar uma reorganização dos serviços para fluxo ágil de atendimento, a estruturação de polos de hidratação, uma medida primordial no manejo da dengue para reduzir o risco de complicações severas, e a capacitação das equipes médicas, para o manejo clínico adequado de cada arbovirose, diferenciando os sintomas, como as dores intensas da chikungunya e as particularidades de hidratação da dengue”, explica o especialista.
Para a população, Chieppe aponta a eliminação dos focos de água parada como medida de combate ao mosquito transmissor das arboviroses. “A vacinação deve ser estimulada. Além disso, o combate ao vírus com a eliminação de focos de água parada continua sendo indispensável”, conclui o especialista.
Autoria: TRBN