Por muitos anos, o cochilo após o almoço foi visto como um hábito saudável e até desejável entre os idosos. E, de fato, uma breve soneca ao longo do dia pode fazer parte de uma rotina equilibrada. No entanto, um estudo recente realizado por pesquisadores do Mass General Brigham, em parceria com o Rush University Medical Center, trouxe um alerta importante: cochilos excessivos, frequentes e realizados logo pela manhã podem estar associados a um maior risco de mortalidade em adultos mais velhos.
A descoberta não significa que cochilar faça mal à saúde. Pelo contrário. O que os pesquisadores sugerem é que o excesso de sonolência diurna pode funcionar como um sinal de que algo não está bem no organismo.
Vale ressaltar que o sono é um dos principais indicadores do estado geral de saúde.
Quando uma pessoa começa a apresentar mudanças importantes no padrão de sono, especialmente sonolência excessiva diurna, isso merece atenção. Muitas vezes, o organismo está manifestando sinais precoces de doenças que ainda não foram diagnosticadas.
O que mostrou o estudo
Os pesquisadores acompanharam 1.338 participantes com mais de 56 anos durante um período que chegou a quase duas décadas de observação. Diferentemente de muitos estudos anteriores, que dependiam apenas dos relatos dos participantes, os cientistas utilizaram um actígrafo, que é um “reloginho” que registra objetivamente padrões de atividade e repouso.
Com isso, foi possível analisar não apenas a duração dos cochilos, mas também sua frequência, horário e variações ao longo do tempo.
Os resultados mostraram que cochilos mais longos e mais frequentes estavam associados a maiores taxas de mortalidade entre os idosos observados.
Segundo os dados, cada hora adicional de cochilo durante o dia esteve associada a um aumento aproximado de 13% no risco de mortalidade. Além disso, cada cochilo extra realizado ao longo do dia esteve relacionado a um aumento de cerca de 7% nesse risco.
Outro achado chamou a atenção dos pesquisadores: idosos que costumavam cochilar pela manhã apresentaram risco de mortalidade aproximadamente 30% maior quando comparados àqueles que somente cochilavam no início da tarde.
O cochilo não é o problema
A principal mensagem do estudo é que o cochilo provavelmente não é a causa dos problemas de saúde. Ele pode ser um sinal.
Os próprios autores enfatizam que os cochilos excessivos devem ser interpretados como um possível marcador de condições clínicas subjacentes.
É semelhante ao que acontece durante uma gripe. Quando estamos doentes, sentimos mais sono e mais necessidade de repouso. A diferença é que algumas doenças crônicas podem provocar fadiga e sonolência sem apresentar sinais tão evidentes. E aqui está um dos aspectos mais relevantes da pesquisa.
O cochilo não deve ser visto como um vilão. O que merece investigação é a necessidade excessiva de cochilar, especialmente quando o padrão de sono muda repentinamente ou quando o cochilo existe mesmo tendo um tempo total de sono adequado na noite anterior.
O que pode estar por trás da sonolência excessiva
Existem inúmeras condições capazes de provocar sonolência diurna em idosos. Entre elas estão doenças cardiovasculares, diabetes, distúrbios metabólicos, depressão, ansiedade, doenças neurodegenerativas e problemas respiratórios relacionados ao sono.
Um dos diagnósticos mais frequentes é a apneia do sono.
Fonte Estadão
Autoria: Estadão